A África Zoom In está no mercado do Audiovisual, crente no poder transformador da comunicação visual, num contexto em que Angola vive um momento promissor para o crescimento desta indústria.
Nos últimos anos, o mercado audiovisual angolano tem registado o crescente surgimento de novas produtoras,
produtores freelancers com capacidade criativa indiscutível, empenhados em contar histórias autênticas e preservar a memória cultural e simbólica dos angolanos.
A produção de conteúdos aumentou significativamente, desde a cobertura de eventos, produção de vídeos corporativos e espectáculos culturais, a transmissão streaming e pequenas produções cinematográficas, paralelamente, cresce o investimento em tecnologia e capacitação técnica, factores essenciais para elevar a concorrência e movimentar o mercado ainda emergente e melhorar a qualidade das produções nacionais.
Apesar do enorme potencial criativo, o sector ainda enfrenta desafios estruturais. O audiovisual precisa caminhar lado a lado com a gestão estratégica, sustentabilidade financeira e visão de impacto social. A ausência de políticas consistentes de incentivos à produção, dificulta a consolidação de uma indústria criativa forte.
Quando os poderes públicos deixarem de ver o conteúdo audiovisual para além de “uma expressão artística”, e passar a reconhecer como ferramenta de desenvolvimento económico, social e simbólico, uma indústria criativa sustentável surge e com ela a economia criativa, passa a contribuir efectivamente para o PIB.
O talento criativo do angolano é inegável. O que muitas vezes falta não é criatividade, mas sim investimento, estímulo institucional e políticas públicas capazes de transformar talento em indústria sustentável.
As indústrias criativas geram riqueza, emprego, identidade cultural e projecção internacional, tornando-se estratégicas para o desenvolvimento do país.
Neste contexto, se parte, 10 a 30%, do financiamento destinado à Televisão Pública fosse direccionado às produtoras independentes, não tenho dúvida de que a programação da televisão, sairia mais diversificada e enriquecida, as produtoras independentes, na sua maioria descapitalizadas, ampliariam a sua facturação, absorviam capital humano saído das universidades, Institutos e centros de formação e poderiam mostrar o que valem. Seria um fortalecimento efectivo da cadeia produtiva do sector. A produção independente pode fortalecer significativamente o audiovisual nacional, promovendo maior diversidade de conteúdos e novas oportunidades para criadores e produtoras.
Com incentivos públicos, investimento privado e gestão eficiente, a indústria criativa angolana pode conquistar
reconhecimento, gerar receitas e emocionar o mundo com a nossa forma única de contar os “ nossos mambos fixes”.
A nossa luta é contribuir para que Angola seja conhecida não apenas pela sua biodiversidade, pelo petróleo, pelos diamantes ou pelos conflitos sociais e políticos, mas também pela sua extraordinária diversidade criativa.
Até lá, avancemos!